Arte e cultura do remix

Cultura do remix e livre expressão são sinônimos da criação artística de vídeo. As possibilidades do vídeo digital são limitadas apenas pela imaginação do criador e pelas restrições legais e técnicas que são impostas à sua criatividade. Seja por cortes de discursos políticos, misturas de cultura pop ou exploração de trabalho novo e original, estamos na encruzilhada de arte, narração de histórias e participação. Vídeo na internet não pode simplesmente ser “internet TV” ou um sistema sob demanda glorificado. Para seu potencial ser completamente realizado, vídeo online deve ser um meio dinâmico que convida ao recorte, arquivamento, remixagem, colagem, repropósito e outras transformações. Como um meio, vídeo online será mais poderoso quando for fluido, como uma conversa. Como o resto da internet, o vídeo online deve ser direcionado a encorajar participação, não apenas consumo passivo.


The Eclectic Method/ Imagem por ccLearn

O advento do vídeo online, e a ameaça da pirataria, tem levado à restrição de acesso e manobras legais para bloquear conteúdo e restringir uso da matéria-prima da cultura. A erosão da licença criativa tem transformado fãs em adversários e aumentado o apoio da indústria em estruturas de direitos autorais ultrapassadas para proteger modelos de negócio estáticos.

Artistas continuarão a lançar trabalhos que se utilizam da cultura popular como eles têm sempre feito e a escolher vídeo como um meio de expressão artística. A questão é se o direito legal e as ferramentas técnicas para criar serão abraçados ou restringidos.

Mais informações:
Organization for Transformative Works
Illegal Art exhibit
ThruYou: Kutiman remixes YouTube
Eclectic Method
Total Recut

Uso Justo

Nossa cultura popular compartilhada é movida por filmes de Hollywood, programas de televisão, videogames e os últimos sucessos musicais. Devido à sua natureza onipresente, está entranhada em nosso cotidiano, tornando-se parte da língua que falamos uns com os outros e também moldando a forma como vemos o mundo que nos rodeia. Cultura pop é largamente criada, distribuída e de propriedade de algumas poucas grandes empresas de mídia, e as leis de direitos autorais restringe o seu uso público. Dado o rígido controle destas instituições poderosas, como podem remixadores, artistas, educadores e cineastas encontrar maneiras de dialogar com a nossa língua de cultura pop compartilhada? Como é que o uso justo se cruza com direitos autorais a respeito de nossos direitos artísticos para criar, criticar e construir sobre o passado?


Anthony Falzone da Stanford na OVC09/ Imagem por lucbyhet

Do Código de Melhores Práticas para o Uso Justo em Vídeo Online, do Centro de Mídia Social:

“O vídeo está se tornando cada vez mais uma parte central de nossa paisagem cotidiana de comunicação, e está se tornando mais visível com as pessoas compartilhando-o em plataformas digitais. Mais e mais, a criação e compartilhamento de vídeo depende da capacidade de utilizar e distribuir trabalhos existentes com direitos autorais. É importante que os produtores de vídeo, provedores de serviços online e provedores de conteúdo compreendam os direitos legais dos produtores de nova cultura, à medida que as políticas e práticas evoluem. Só então os esforços para combater a “pirataria” de direitos autorais no ambiente online será capaz de abrir o espaço necessário para usos lícitos, com valor acrescentado. Mashups, remixagens, legendagem e paródias são novos e refrescantes fenômenos online, mas elas compartilham de uma tradição antiga: a reciclagem da cultura antiga para fazer a nova. O acordo é o seguinte: nós, como sociedade, damos direitos de propriedade limitados aos criadores, para recompensá-los por produzir cultura; ao mesmo tempo, damos a outros criadores a oportunidade de usar esse mesmo material protegido por direitos autorais sem permissão ou pagamento, em algumas circunstâncias.

As leis de direitos autorais tem várias características que permitem citações de trabalhos protegidos sem necessidade de permissão ou pagamento, sob certas condições. O uso justo é a mais importante delas. O uso justo é flexível, mas não é incerto ou não confiável. Ao rever o histórico de litígios de “fair use”, descobrimos que os juízes voltam sempre a duas questões fundamentais:

•  O uso não licenciado “transformou” o material retirado do trabalho protegido por direitos autorais, usando-o para uma finalidade diferente da original, ou apenas o repetiu com a mesma intenção e o mesmo valor que o original?

• Foi o material tomado em tipo e quantidade apropriados, considerando a natureza do trabalho protegido e seu uso?

Produtores de vídeo podem ganhar confiança na dependência que outros grupos de criadores têm sobre o uso justo. Por exemplo, os historiadores regularmente citam outros historiadores e fontes textuais; cineastas e artistas visuais reinterpretam e criticam trabalhos existentes; estudiosos ilustram comentários culturais com exemplos textuais, visuais e musicais. Imagens e sons podem ser blocos de construção para um novo significado, assim como citações de textos escritos podem ser. Expressões culturais emergentes merecem o reconhecimento pelo valor de transformação assim como formas de expressão mais estabelecidos.”

Mais informações:
American University Center for Social Media on Fair Use
Code of Best Practices in Fair Use for Online Video
Stanford CIS Fair Use Project

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Conteúdo originalmente publicado aqui.